segunda-feira, 4 de outubro de 2010

ELE CUIDA

1. É, Ele cuida sim...
Como é íntimo e gracioso o momento em que percebemos que Jesus está cuidando de nós. Àqueles 30 segundos em que 'a ficha cai', você respira fundo e pensa que só Ele poderia ter feito tal coisa por ti. Como é emocionante saber que Ele cuida de todos os detalhes, de uma forma perfeita e completa. No entando, facilmente, e infelizmente, nós trocamos esses momentos de intimidade e confiança pelo desespero e falta de fé. Deixamos o conforto dos braços do Pai para querer fazer tudo com nossas próprias mãos. Não consiguimos lidar com a ansiedade e ficamos sem dormir, sempre nos precipitando e estragando tudo! Não confiamos na forma como Ele trabalha, não nos conformamos com o tempo que Ele estabelece, com os meios que Ele usa. 
Confesso que em algumas situações de pânico (e como uma pessoa extremamente intensa eu ainda entro em pânico nas adversidades) a coisa mais complicada do mundo é simplesmente repassar pra cada célula do meu corpo que Deus está no controle de tudo. Não sou do tipo cristão evoluído que nem sequer se preocupa com os problemas, por que sua fé é o suficiente pra deixá-lo confiante, bem que gostaria de ser. Ao contrário, sou ansiosa e preocupada, ávida de obter resposta e até mesmo de ver a transformação de Deus na minha vida. Eu sei exatamente que todo o deserto que atravesso agora tem a finalidade de me fazer confiar em Deus e no processo que compete a Ele fazer, não eu. E lamento que seja tão difícil me adaptar a essa ideia. Ás vezes me pego exigindo de Deus: "Isso precisa ser tão lento, gradual e complicado?" É claro que sim, pois Deus quer fazer sua obra de forma completa e definitiva, Ele não deixa nada pelas metades, ora bolas. Vai levar todo tempo que precisar! E de novo, como numa discussão dialética, chego a conclusão de que preciso confiar n'Ele, não tem outro jeito. 

2. Aos seus, Ele dá enquanto eles dormem
Neste ponto estou tentando trazer á memória os mais diversos momentos em que Deus realizou o impossível, proveu recursos, companhia, aliados e regeu o Universo pra me favorecer. Estou certa de que aos poucos vou aprendendo a me comportar nestas situações. Como disse, ainda não aprendi completamente como fazer isso, mas estou tentando forte. A cada dia procuro reconhecer quão desprezível seria o meu destino se Ele não tivesse me resgatado... E aí, vou cedendo ao seu amor, vou permitindo que Ele entre cada vez mais fundo em minha alma e vou me entregando sem reservas, mais e mais. Esse exercício tem se tornado mais fácil ultimamente, pois vejo o Senhor cuidando de mim de forma milagrosa. Dando-me os suprimentos de que preciso neste momento de ‘vacas magras’, colocando ao meu lado companheiros de fé que edificam minha vida e me impulsionam a prosseguir, mesmo quando lá no fundo, estou sem fé, sem esperança, sem sonhos... Sei que Ele cuida de mim e compreendo que a ansiedade me afasta de sua vontade. Sei que Ele nunca me abandonou e nunca o fará e a única parte que me cabe é me convencer disso. Estou usando todas as minhas energias para lutar contra minha carne incrédula e falha. Mesmo dentro de uma situação tão difícil como estou, quero aproveitar cada minuto para aprender com a fidelidade de Deus e crescer em fé e ações de graças. O Senhor já usou das mais variadas pessoas, coisas e situações pra se mostrar zeloso e presente em minha vida e eu só posso reconhecer com meu coração grato, contrito e voluntariamente entregue á sua obra. Nem preciso dizer quanto choro, dor e esforço estão envolvidos neste processo. Eu vou de passo em passo, nessa caminhada cristã. E ainda é comum pra mim, cair, olhar pra trás, ter dúvidas, me sentir com medo, insegurança, com vontade de desisitir. Me sinto como uma criança medrosa que só consegue dormir quando o Pai se senta ao lado, na cama. Ainda bem, que meu Deus é o tipo de pai que se senta e diz: “Não se preocupe minha filha, eu já cuidei de tudo, pode dormir em paz.” e isso é o que por ora, me conforta.

sábado, 25 de setembro de 2010

A TRAJETÓRIA DO SANGUE QUE ME COMPROU

Eu vi quando ela surgiu
Entre seus cabelos úmidos
Brilhante, perfeita, cara e pura
Carregada de significados

Eu vi quando ela se desprendeu
Tímida, singela, devota e arredia
Como quem não conhece a trilha desceu
E lentamente de Jesus se despedia

Antes pulsou em seu coração
E foi testemunha do maior amor
O de Deus por sua criação
Uma gota de sangue com imenso valor

Antes correu por entre os corredores
Totalmente humanos e totalmente divinos
Distribuindo a dor, a adrenalina e o peso do dia
Que pagaria a dívida de todos os pecadores

Mas agora do corpo saiu
No alto, pelas feridas dos espinhos
Hesitou por alguns segundos
Mas de tão cheia de paixão, caiu.

Olhou pra seus olhos e continuou a carreira
Passou por entre o pó e suor e o fel
No ombro machucado encontrou uma ferida cruel
Se uniu com mais sangue formando uma imensa fileira

Demonstração de um amor tão terno
Aquelas gotas de sangue, uma a uma
Formariam a coisa mais poderosa
De todo o céu, terra e inferno

Como uma assinatura carmesim
Elas comprariam a mim
Até que se transformariam no vinho
Que tomo em memória de Ti.

De todo meu coração eu reconheço
O sacrifício que mudou a história
Que me comprou por tão alto preço
Um valioso sangue que nos deu a vitória

Livre de tudo que antes me prendia
Entrego minha vida e todo meu louvor
Pr’Àquele que na cruz seu sangue vertia
Salvando a mim – Um tão pobre pecador
.
.
.
Dedico essa poesia a minha amada amiga Thiana Rodrigues que é uma benção de Deus em minha vida, me ensinando e me abençoando com sua sabedoria.
Sou grata pela mulher de Deus que você é.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

UM SONHO MAIOR DO QUE EU


1. COMO JOSÉ, SONHANDO

Quando ouvi sobre a história de José, ainda criança, perguntei pra minha mãe, minha professora da escola dominical: "Por que os irmãos dele estão com raiva, a gente não sonha o que a gente quer e sim o que Deus quer, não é mesmo?" Minha indignação infantil não conhecia a inveja, o ciúme e muito menos o levante do inimigo contra os sonhos de Deus. Também não sabia que a maioria das pessoas trocava os sonhos de Deus por seus sonhos humanos. No desenrolar da história sabemos que os sonhos de José eram revelações de Deus para sua vida e o que seus irmãos fizeram de mal a ele não impediram que José se transformasse no grande governador do Egito. Eu sempre fui sonhadora e os leitores sabem que construi um grande roteiro de viagem, que fazia paradas breves e descompromissadas nas Igrejas, aos domingos e olha lá. Não é nada fácil vir de uma família que abre pequenas congregações, aonde o tio prega, a tia canta, a mãe ensina na escolinha e o primo tira a oferta. Quando a Igrejinha ia crescendo, tomando forma, com templo novo, instrumento musicais mais bacanas, quando ficávamos livres da microfonia e da festa da botija - lá ia a gente pra outro bairro, começar tudo de novo. Meu Deus que canseira, eu já tinha decidido que não queria nada daquilo na minha vida "Eu não, Deus me livre". Mas como Jó, o que eu mais temia me sobreveio. De uma forma muito particular o Senhor me guiou de volta pra casa, pra minha parentela e para a Igrejinha. Que amor era esse que eu estava sentindo por ela? Que saudade era essa dos hinos da harpa? Que surpresa era essa de sentir o que eu estava sentindo??? Depois de anos na prisão e na casa de Potifar lá vai José começar a jornada de realizar os sonhos de Deus. Na minha Igrejinha estou de volta à microfonia e às festas de botija entre outras coisas. Mais do que isso estou de volta ao meu primeiro amor. Neste processo começou a fluir em mim algo novo e espetacular - sonhos que não eram meus.

2. SONHANDO OS SONHOS DE DEUS
No ano passado eu recebi um sonho de Deus, e acredite: este sonho não era meu. Aliás, este sonho é bem maior do que eu! Neste sonho, muitas pessoas estudavam juntas a palavra de Deus, em salas de aula, em círculos e em grupos familiares. Eu não sei como isso aconteceu e nem sei como pessoas acreditaram nesse sonho, embarcando neste desafio. Mas o fato é que todas as portas se abriram e mesmo com muitos obstáculos, hoje temos um sólido grupo de estudos bíblicos - o Grupo Chokmah. Permita-me dizer que a consolidação deste projeto é exclusivamente pelo poder de Deus. Pois não temos (ainda) curso de Teologia, nem instalações próprias, nem recursos, nem apostilas modernas e avançadas, somente um grupo de pessoas com um desejo ardente de aprender mais sobre a Palavra. O que experimentamos nestes 9 meses e 39 livros da Bíblia que já estudamos é a mais absoluta revelação do Espírito Santo. Somos como crianças, tateando as paredes e andando pé a pé em direção ao conhecimento que vem de Deus, e nome mais oportuno para o Grupo não haveria de ter - Chokmah.
E hoje, de forma surpreendente para mim, eu assumo publicamente este sonho como meu. De alguma forma (misteriosa) o Senhor trabalhou em meu coração para que eu não só assumisse essa tarefa, mas que encarasse isso como um GRANDE PROJETO DE DEUS PARA MIM. Hoje o humilde grupo se tornou bem maior do que foi, há um ano atrás. Novas pessoas estão procurando o curso e hoje ele deixa de ser um Grupo de Estudos e passa a ser um Instituto Bíblico, com ensino para iniciantes no estudo da Bíblia, com várias turmas, de níveis diferentes, inclusive para adolescentes. O Senhor me fala que este é um degrau de muitos que vamos subir. O que desenvolvemos esse ano foi o suficiente para construir uma metodologia que é didática e eficaz no estudo da bíblia. Até o mês de Dezembro vamos concluir o 1º ano cujo tema é "Livros da Bíblia - Uma Visão Geral". E no ano seguinte "Bases Para Um Cristianismo Genuíno", encerrando o curso básico. Estou orgulhosa do que Jesus me fez presenciar, o mágico momento em que os sonhos de Deus passaram a fazer parte de uma pessoa.

3. SENDO CAPACITADO PARA A MISSÃO
Não me perguntem como uma pessoa sem curso de Teologia tem audácia de coordenar um Instituto Bíblico, mas eu acho que o passado nas Igrejinhas me mostraram que Deus vê grandes congregações aonde o homem só vê um salãozinho com 12 pessoas. De uma forma ainda oculta para mim Ele escolhe as coisas pequenas e despreparadas. Confio que o Senhor que chamou para a missão há de oferecer o treinamento apropriado. Eu bem sei que a Escola de Deus é o poço, o deserto, a casa de Potifar e a prisão. Não é nada fácil sonhar com algo que é mais grandioso de que si mesmo. Mas eu recebi em meu coração um evangelho que transforma humildes pescadores em oradores destemidos, pedras fundamentais. Transforma jovens trabalhadores rurais em profetas e heróis de guerra. Não estou dando nenhum passo que nossos humildes (porém extraordinários) cristãos primitivos não deram antes com êxito. Por que o Senhor que chama é aquele que capacita, e essa responsabilidade não é minha.
Não consigo entender o propósito de Deus com toda a história que vivi, quando criança. Depois, por que tive que perambular por inúmeras geladeiras gospel para sentir saudade da calorosa Igrejinha. Que calor arde em mim naquele lugar! Esse amor é o combustível que precisava para realizar qualquer missão, sem pensar em títulos, nem em habilidades humanas. (Não estou dizendo que apenas as pequenas congregações são ambientes de adoração genuína, mas este foi, especificamente o resgate que o Senhor executou em mim) Hoje só consigo pensar em conhecer e prosseguir em conhecer o Meu Deus e a Sua Palavra. E esse, sem dúvida alguma é o melhor sonho que eu poderia ter.
O estudo da Palavra deveria ser uma busca contínua de todo cristão. Peço ao Senhor que mais pessoas, se sintam incentivadas a montar Grupos de estudos da Bíblia em suas Igrejas, famílias ou entre amigos. Não preciso comentar o quanto é importante conhecer as escrituras e nem preciso dizer quanto respaldo bíblico temos para fazê-lo. Precisamos de Cristãos mais engajados, mais comprometidos com a Bíblia e com menos picuinha. As muitas heresias não se acanham em bater de porta em porta e de se impor pela mídia e por todos os lados possíveis. Vamos reagir Igreja Santa do Senhor, vamos falar do amor de Deus por onde passarmos, vamos explicar os trechos bíblicos de forma destemida para os que estão presos pelo laço enganoso do erro. Quantos de nós realmente nos reunimos com salmos e hinos de louvor? Qual foi a última vez que ganhamos uma alma para Deus? É triste saber que temos relativizado tanto que corremos o risco de perder o nosso referencial de comportamento. Vamos todos acoplar os sonhos de Deus aos nossos. Vamos buscar o centro de Sua vontade. Glória a Deus pois há tempo, a trombeta AINDA não tocou.



Ps. Se você tem sugestões/indicações ou deseja ter qualquer informação específica sobre este projeto de estudo bíblico envie um e-mail para estude_a_biblia@hotmail.com. Ou visite o Blog http://institutochokmah.blogspot.com/ Ore pelo Grupo Chokmah, ele já está orando por você.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

SERÁ QUE É POESIA?




Esse texto é uma homenagem a Jefferson Magno Costa


Olha, eu confesso. Primeiro eu usei a religião, estava já à mão, eu tinha fácil em casa, depois a Filosofia, depois a Ciência e durante todo o processo a Poesia. Passeei por caminhos tortuosos, pela política, pela música, pelo teatro, por outras artes, pelas explicações agnósticas, pelas teorias, pelas conversas de bar, crenças antigas, tradições, por uma ou outra face da cultura. Mas eu juro: nunca usei antidepressivos, nem usei (todas) as outras drogas! Essas eram tentativas, vãs, de sanar minha obsessão por encontrar respostas.
Eu fui escrevendo, escrevendo, escrevendo pra ver se a dor sumia, se a garganta seca, a vontade de perguntar passava, tentava pensar em outra coisa, ou melhor, tentava não pensar em nada, mas eu virava noites em claro, repassando uma frase que li, ou avaliando o filme que assisti. Por muitas vezes eu ouvi dizerem que eu estava ficando louca, ou que eu era dramática, ou que fazia aquilo pra chamar atenção. Poucas pessoas realmente entendiam que eu sofria muito por dentro, e ainda sofro.
Por que uns vão ouvir que não podem ter filhos e vão superar, eu vou reviver isso todo dia, o tempo todo. Uns vão ser expulsos da Igreja e vão ridicularizar a denominação, eu vou lamentar até que ponto chegou essa instituição (E eu lamento mesmo, profundamente). Uns vão se casar, ter seu emprego, ir a Igreja no domingo. Eu vou ficar na olaria, passando por mais e mais reparos. E como eu invejo uma vida, humilde, desproposital, como a de algumas meninas da minha idade que dormem ás dez e meia e acordam cedo pra ir trabalhar. Eu passo noites em claro, há 10 anos. Falando nisso, fico rindo dos pastores da iurd que pregam na madrugada, por que dos problemas que eles relatam, eu devo ter 80% (risos, muitos). Eu não tenho a audácia de pregar um Gezuz que tire como num passo de mágica, uma pessoa das dívidas, da depressão, do desemprego, a troco de uma visita na igreja, ou a troco de um toque nos 348, 368, sei lá. Eu não desperdiço nenhum copo d’água com isso.
Não posso pregar o que não vivo e o que eu vivo é o processo, etapa por etapa! Eu estou sofrendo, cada vez que a lixa do marceneiro passa. Eu estou remoendo meus erros na construção de um futuro mais coerente pra mim. Estou imitando Cristo, um pouco mais a cada dia, caindo no velho erro de vez em quando, me arrependendo, levantando, assim por diante. Fico fascinada com as histórias do tipo ‘dormi drogado e acordei crente’. Mas não é assim comigo. Eu sofro e reflito em cada desafio. Deito no chão da Igreja no meio do louvor, ligo pra pessoas ás 2 da manhã pra pedir perdão. Faço sessões de terapia em bancos de ônibus e choro 3 dias por causa de uma criança que vi pedindo esmola no centro da cidade. E pouco me importa se minha unha está com esmalte velho, pela metade ou se repeti o mesmo vestido nos últimos 5 casamentos. Eu visito meus tios, dias de terça á tarde. Prefiro a compania de crianças de 11 anos do que de pessoas que conheço há 11 anos. Pesquiso sobre formas de economizar água e coloco em prática. Dou aulas de reforço escolar de graça, escondido do meu marido.
Veja bem, não torno tudo isso público pra ouvir comentários me dizendo que sou isso, ou aquilo. Só eu sei o quanto me dói ser assim, só eu sei quantos kilos já engordei nas minhas sessões da madrugada a fora. Só eu sei quanto tem na minha carteira pra pagar a coca-cola que quero beber agora – nada. Só eu sei o que me custa me submeter ás ordens de um líder sem questionar, por que dessa vez eu quero fazer dar certo. Só eu sei o que é ouvir que devo aceitar que meu marido é o cabeça, quando às vezes penso, que ele deve estar mais pra cabeça de alho. E isso, nós sabemos, têm multidões de implicações. Eu sei o quanto me custa ter em meu currículo um longo histórico de problemas com patrões, professores, orientadores, entre outras autoridades. Eu sei o peso que tem meu sobrenome, o peso que tem meu passado, o peso que tem minha figura pública e o pré-conceito que muitos formaram ao meu respeito. Eu sei quem sou. Ou não sei quem sou? Eu sempre me perco quando o assunto é esse!
Gostaria tanto de acreditar que sou um macaco, menos macaco que o ser evolutivo anterior na cadeia. Ou que sou uma alma sendo reciclada em outro corpo, com ainda milhões de chances. Seria tão mais fácil... mas não acredito! E la´vou eu lidar com todas essas minhas características-bomba hoje mesmo, agora. Ora leio Clarisse e me sinto mais confortável, ora leio Fernando e me sinto mais deprê. Me identifico com um, me diferencio de outro. Mas minha ajuda vem mesmo quando estou em oração. É conversando com meu Pai que vou aprendendo um pouco mais sobre mim. Sei que eu sou, no mínimo, uma pessoa excêntrica. Que ás vezes minha profundidade soa como abismo para muitos. De lá me apego à Deus com todas as minhas forças. Sou mesmo carente, dramática, complexa, bipolar, guerreira. Aberta, mas às vezes arredia. Amorosa, mas ás vezes cruel... Intensa. Intensa até demais. Como diria Nietzsche vou 'procurando razão na loucura' todos os dias. Como disse no começo, vou escrevendo pra ver se a dor passa. Que dor? a dor de ser como eu sou. Sinto que existe muita poesia nisso, será? Não sei. Mas respeito ainda mais os poetas, se eles são assim como eu.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

PRA ONDE ESTOU INDO?

1. Com o mapa nas mãos
Existia uma época da minha vida em que eu fazia questão de saber tudo... Cheia de curiosidade, críticas, questionamentos, sonhos, subversão. Tudo o que eu queria era trilhar meu próprio caminho, utilizar toda minha autonomia e liberdade. E aí fui eu, ocupando cada milímetro da minha vida com os meus planos, com os meus objetivos e com o futuro que tinha sonhado pra mim mesma. Eu fiz tudo como achei que devia, rompi com o que achava preciso, passei pelos típicos 'ritos de passagem' da adolescência e fui indo... Durante o processo me lembro várias vezes de fugir dos planos de Deus pra mim. Me lembro de Suas tentativas de me fazer ouví-Lo, pelo menos por um breve momento. Eu fui me desviando d'Ele, tampei os ouvidos e corri, o mais longe possível, achando que em algum momento aquela voz dentro de mim ia se calar...
E eu fugi... ocupei minha mente com outros pensamentos, me dediquei aos meus projetos, deixei o tempo passar... Mas só fiquei cansada.... a voz ainda estava ali, tão alta como sempre foi... tão veemente que me assustava. Até que em determinado momento eu simplesmente resolvi parar. Eu, exausta de tanto fugir, olhei para o alto e disse:
"Não vê, que eu não sou capaz de fazer o que Senhor me pede?"
"Será que não entende que estes Seus planos não combinam comigo?"
Eu estava convencida de que Ele deveria usar uma dessas pessoas humildizinhas que existem por aí... Por que alguém como eu? Tão cheia de defeitos e problemas? Por que querer alguém que só vai te questionar? Por que euuuuuuuuuuuuuuu?
Ele calmamente me respondeu
"Por que não? Nada disso pode me atrapalhar a agir"
na palavra ele me confirmou: "Eu o tenho chamado, eu o farei vir.. e farei próspero o seu caminho" . E eu cedi. Mesmo relutante me entreguei aos planos do Senhor. Reconciliei-me com o meu Criador depois de tantos anos correndo do meu 'propósito' em uma longa e exaustiva reta em direção ao caminho oposto. Mas parei, suor na testa, olhos cheios d'agua, incertezas e mãos tremulas segurando meu bom e velho mapa. Ele então pediu: Rasgue o mapa! Nós não vamos mais por este caminho.. vamos.. pode rasgar o mapa, confie em mim...
Eu cerrei os olhos com muita força pra não ver o que eu mesma estava fazendo, senti cada pedaço da minha vida se destruindo junto aquele mapa. Depois disso senti uma verdadeira guinada na direção oposta. Meu corpo agora estava de costas para tudo o que eu havia projetado para o futuro. Carreira, emprego, casamento, dinheiro, saúde, estabilidade financeira, emocional, amigos, rotina... tudooooooooooo, ele se desviou de tudo. Virou a direção total do meu corpo, dos meus pés, dos meus olhos... só senti tudo ficando para trás... imediatamente uma paz sobrenatural tomou conta do meu ser: "não se preocupe, olhe para frente agora!" Ele disse.
*
2. Horizonte indefinido
Ninguém pode imaginar o quanto uma pessoa controladora, autônoma e independente sofre quando resolve entregar a direção da sua vida para Deus. Não estava nem um pouco preparada para ver meus planos de futuro ficando pra trás. Hoje me apego a uma única e convicta certeza "Ele sabe o que é melhor pra mim". É obvio que eu sofro quando me perguntam 'Você não estava indo pra lá? O que houve? O que você está fazendo ai tão longe do que planejou?' Eu não sei o que responder, não sei como me comportar. Na verdade nem sei como não sentir falta do meu mapinha... ele me fazia me sentir tão mais confortável. Eu sei que deveria, aqui, publicamente estar dizendo que estou bem, que estou feliz e nem sinto mais falta do tempo em que eu mesma determinava a direção dos meus passos. Mas isso não seria verdade...
O que eu sei é que Ele tem ocupado o meu tempo com os projetos dEle, que tenho caminhado numa direção totalmente nova e que não faço a menor idéia das próximas curvas, subidas e descidas deste caminho desconhecido.
Por aqui existe muito mais obstáculos, existem inúmeras diversidades, temporais, ventanias... Porém tenho encontrado pessoas incríveis no meu caminho, parceiros novos para me distrair e me ensinar durante a caminhada. Tenho me motivado com ideais antes nunca considerados, tenho sonhado coisas diferentes, tenho me entregado de corpo e alma, sem fazer perguntas. Nunca me imaginei caminhando sem um mapa, sem saber previamente o que viria pela frente.. Tudo tem sido novo e desafiador. Cada vez mais os antigos projetos estão ficando para trás... Confesso que as vezes me viro, tentando vê-los, mas já os perdi de vista. O que me resta agora é me apegar ao Guia, confiar em Sua infinita sabedoria e machar rumo a esse caminho desconhecido que tem sido minha vida, fazendo valer a máxima de que "o meu futuro só à Deus pertence".

sexta-feira, 4 de junho de 2010

QUEM SÃO ELES?

1. Lendo pessoas, além de livros
Somos todos leitores do mundo que nos cerca, isto é fato. Em mim, este 'instinto sociológico' é totalmente intrínseco à quem sou e foi desenvolvido, e diria que até encorajado, durante a vida. Não faço isso por orgulho, nem por altivez e hoje já consigo lidar bem com essa complexa característica. O fato é que leio sim, observo sim e aprendo muitooooooooo. Depois de um tempo me interessei por ler as pessoas além dos livros. É um exercício incrível, onde avalio situações, pessoas e opiniões, me auto-avalio em contra-partida. Evidentemente que nem sempre encontro o que gostaria de ver, me decepciono, me comovo, me emociono, me envolvo com o sofrimento alheio, me exponho, me aborreço, sofro. Confesso que nem sempre isso me faz bem, mas lá vou eu...
Por um momento acreditei que deveria me conter, me cercar de apenas algumas pessoas, reduzindo a chance de expor meus sentimentos a quem pudesse me ferir, evitando gostar de quem não gostasse de mim e eliminando o tal problema. Resolvi contar com poucas e confiar em seletas outras. Minha tentativa era, teoricamente, escolher aquelas com menor probabilidade de pisar na bola comigo. "Deve ser fácil!" pensava eu. Mas quanta ingenuidade...
Minha iniciativa pragmática de rotular meu círculo de convivência era aparentemente extraordinária, mas ruiu ao menor sinal do que eu chamo de "elemento surpresa". Por que advinha? Eu não sei quem são eles. As pessoas não são previsíveis! Elas não se mostram verdadeiramente. Elas traem, elas mentem, elas fingem. Acredita nisso? Como eu, tão inteligente, ainda não percebi que há hipocrisia, há falhas de cárater, há fraquezas e há descuido como os corações alheios??? Por que eu não contei com o Elemento surpresa? Por que eu não considerei além de tudo isso, que alguns usam máscaras?
2. De cara limpa
Entendi que algumas pessoas simplesmente se vestem, se arrumam, depois selecionam a máscara "para festas de família" ou "para cultos e reuiniões na Igreja" e vão fingir que são o que não são. Fingem interesse pelos outros, fingem sorrisos, fingem até que têm consideração! Essas máscaras são tão convincentes que são raros os observadores que percebem se tratar de pura farsa. Me pergunto até que ponto se torna lícito para os impostores se esconder atrás de uma postura dissimulada, fria e superficial. Por que algumas pessoas optam por ser assim? Por que elas não se mostram? Por que não dizem o que pensam, por que não se adaptam ao que querem parecer? Porque é mais fácil? Não acredito, é isso?
É tão covarde fingir que se gosta de alguem. É tão covarde concordar com tudo só pra evitar expor sua opinião, fugindo do confronto que pode te enobrecer como pessoa. É tão covarde sentar pra conversar com uma pessoa se você está querendo fugir por dentro. É tão desleal, tão cruel.
Porque quando a gente se expõe, a gente corre riscos sim, mas a gente aprende tanto. E então decidi que prefiro mil vezes me decepcionar com as pessoas do que me limitar, me restringir. Prefiro ir de peito aberto e cara limpa, falando demais e me arrependendo, brigando e pedindo desculpas. Amando e correndo o risco de não ser correspondida do que viver sem amar, sem me entregar. Prefiro sim ser quem sou do que usar uma máscara, do que fingir, do que me omitir...
Prefiro errar do que forjar o acerto. Prefiro assumir meus defeitos do que encenar qualidades. E prefiro expor toda minha intensidade do que viver na mediocridade.
Logo, para aqueles que vivem em roteiros pré-escritos, falsificando condutas amplamente aceitas pela sociedade, eu os desafio a serem quem são! A se assumirem e confiarem que em meio a muitas críticas e muitos desafetos a gente pode encontrar amizades incríveis, amores verdadeiros e companheiros fiéis. Sim, valhe a pena se expor... Não dá pra ter certeza de quem são eles, não dá pra prever se alguém vai nos decepcionar, mas veja só: dá pra ter certeza de quem somos! Só isso já extremamente fantástico, não acha?

sábado, 3 de abril de 2010

COMO VASO NAS MÃOS DO OLEIRO

1. Natureza irremediavelmente de barro
Nesses últimos anos eu fiz uma viagem, pra dentro de mim mesmo. Na ocasião conheci coisas dentro de mim que ainda não sei como lidar. Estive assustada, estive desesperada, estive em frangalhos, estive me aceitando por um tempo. Me negando por outro. Eu me conheci e não gostei do que vi. Eu fui crítica de mim mesma, e então desabei diante da minha natureza corruptível e danosa. Estou falando de auto-crítica, da mais fria e severa possível. O fato é que fui colocada diante da Luz, só então vi as rachaduras da minha personalidade.
Eu vi que sou intolerante com mil e uma coisas. Que minha carne é... a palavra certa é: de dura cerviz. Eu confesso que tenho muita dificuldade em me submeter. Eu assumo que me achei rebelde, dura e prepotente. Tinha a mesma facilidade para fazer inimigos do que amigos. Eu dizia sempre na cara, com uma sinceridade ácida, que acabava com minha vida social. Não adiantava chorar e me arrepender depois, a questão é que eu era assim mesmo, e pronto. Eu encontrei em mim mais podridão e pecado do que imaginava ter. Nessa viagem interior eu me vi sombria, orgulhosa, insubordinável, intolerante, crítica, terrivelmente crítica. Meu Deus! Como vou lidar com o que vi? Como vou lidar com o que estou assumindo? Como vou me arrepender de ser assim? Se todos esses defeitos estão atrelados a minha personalidade? Como vou ser diferente do que sempre fui? É possível ser diferente? Quando olhei pra dentro de mim descobri que fui feita de barro! E descobri que sozinha nunca conseguiria mudar, por mais que assumisse que precisava.
2. É possível ser diferente?
O mais importante é que durante toda essa viagem eu fui guiada por uma Luz muito forte que iluminava todas as arestas, e fui entendendo por que precisava me livrar de todo este lixo que eu guardava com a etiqueta "faz parte do que eu sou". Mas nada na minha vida foi tão difícil, longo, doloroso e cheio de conflitos como aceitar que precisava mudar, e mais, que precisava de ajuda pra isso! Eu me questionava o tempo todo "como vou ser diferente" , "será que eu quero mesmo ser diferente" ? Eu vi que era muito comum encontrar pessoas que mudaram alguns hábitos, algumas roupas e continuaram sendo exatamente como eram, mesmo diante de Deus. Essas pessoas deixaram alguns vícios pra trás e acrescentaram alguns retetés no linguajar, mas por dentro mantinham a mesma natureza cheia de rachaduras! Nem sempre compartilhavam os mesmos defeitos que eu, mas que continuavam vazias, superficiais, banais, apegadas a coisas materiais, mesmo depois de tantos e tantos anos na Igreja. Pessoas que se sentem bem em humilhar as outras. Pessoas que gostam de aparecer e que buscam o reconhecimento das outras... É... a igreja está repleto delas, infelizmente. Pessoas que não mudaram sua essência, apenas sua aparência. Eu estava decidida a não ser assim, de forma alguma!
Por que o Evangelho que decidi seguir não podia co-existir com esse comportamento, por que eu sabia que não seria aprovada por Deus. Nossa carne é, sem dúvida, nosso principal inimigo. Essa vontade latente de permanecer no erro está tão profundamente arraigada em nós que fica difícil separar o que somos nós, e o que é a nossa natureza corruptível. Foi aí que eu descobri que Ele precisava me quebrar! Me moldar de novo, me levar ao fogo. Vocês nem imaginam o quanto essa idéia me assustava.
3. Destruir para Reconstruir
No meio de todo esse conflito eu descobri em mim, uma imensa vontade de estar com Deus, para minha alegria e para que o plano de Deus fosse completo em relação a minha 'mudança'. Eu descobri que eu conseguia me entregar pra Deus, que eu O amava e que queria construir uma relação mais próxima com Ele. E então veio a surpresa: era só isso que eu precisava fazer: Me entregar, sem reservas! fácil não era, como nada é, em relação a minha pessoa, mas eu sabia o que precisava ser feito e busquei ajuda dEle para conseguir.
Então eu procurei um lugar neutro, isolado e simples e fui jogando tudo fora! Fui me entregando e Ele foi moldando, como um vaso em Suas mãos... Fui me aproximando e ele foi me martelando, me lixando, me aparando... E doía, e como dói ainda... Eu chorando e ele moldando, mexendo e eu dizendo pára, sentindo minha estrutura balançar, coisas caindo, caixas fétidas, cheias de poeira e ratos.. Sujeira saindo e água entrando, escova esfregando e carne doendo! Eu logo me apressei em perguntar se estava perto de acabar esse processo, Ele respondeu: "Por enquanto não Susana. Meu trabalho em você ainda não está completo". É nesse ponto que estamos atualmente: Eu aqui sofrendo em ver tudo o que sabia sobre mim se desmanchar na minha frente. Tentando manter arrumado os departamentos que Ele já organizou, exercitando o perdão que tive que aprender a pedir. Exercitando o 'julgar a si mesmo', o 'amar seus inimigos, não só os seus amigos'. Continuo com dificuldades para voltar atrás, sofrendo cada vez que tenho que me submeter. Padecendo em cada etapa da construção dessa 'nova natureza'. Mas confio, com todas as minhas forças, que é preciso essa dor. Não questiono mais os Seus métodos, também não estou interessada em desistir. Há algum tempo Ele me tirou da zona de conforto e me levou para a olaria. Me tirou do armário, colocou óleo em mim e viu que ainda havia vazamentos... Como foi difícil... Eu achava que já estava preparada... Me senti incompreendida, rejeitada, mas Ele estava apenas fazendo seu trabalho. E como foi difícil ser reprovada!!!
E assim tem sido minha vida, desde que voltei da minha viagem interior decidida a procurar um especialista em rachaduras de vasos de barro - O oleiro Jesus. Eu tenho lutado diariamente para não recuar e Ele de forma enérgica, hábil e precisa, me molda com seu amor. Preciso confessar, era exatamente disso que eu precisava pra ser uma pessoa melhor!!

sábado, 20 de março de 2010

AONDE ESTÃO OS CEIFEIROS?

1. Autônomos não trabalham para Deus.
Sempre que via algo que precisava de um reparo ou cuidado eu tentava resolver por conta própria. Seja em casa, ou no trabalho, num grupo de estudos ou na Igreja. E eu, erroneamente, me orgulhava dessa tal proatividade (risos). Entretanto, no meu caso, minhas boas intenções mascaravam minha forma controladora de lidar com os problemas, fazendo do meu jeito, resolvendo tudo a meu modo, inclusive na Igreja. O principal aspecto do meu enorme engano, é que quando se trata da Obra e do Trabalho designado por Deus, as coisas são ainda mais delicadas. Ou seja, é Ele que deve distribuir tarefas, a cada trabalhador em sua medida e especialidade. Trabalhamos para Ele e não por conta própria.
E meus amados, parei por um breve momento para pensar em quantos 'administradores' da casa de Deus, cheios de boas intenções já se equivocaram da mesma forma. Quantos trabalhadores de sua própria obra já vi sobrecarregarem seus congregados, distribuindo tarefas e lideranças sem o direcionamento de Deus. E como essa obra é complexa, minuciosa e necessita de cuidados específicos que só o Ele pode nos ensinar, não fica difícil imaginar nas conseqüências desastrosas dessas ações desorientadas: disputas de poder, busca por reconhecimento dos outros, abuso de autoridade, imposições descabidas e outros males que existem em decorrência dessa falta de zelo pelas tarefas da Casa de Deus. Cada um trabalhando em favor de seu próprio louvor, pensando no que a liderança considera correta, no que o pastor aprovaria e no que chamaria a atenção do Bispo, ou sei lá o quê. Resumindo: esses trabalhadores, infelizmente, não trabalham para Deus...
2. Filhos de Deus e servos d'Ele
Certa vez ouvi dizer que, ou se é servo, ou se é filho de Deus. Isso não me convenceu. E nem preciso dizer que automaticamente, como num procedimento mecânico, eu desconsidero qualquer bobagem que fugir ou contradizer a palavra de Deus. Em muitas passagens bíblicas somos chamados de filhos, mas isso não nos tira o privilégio (e dever) de servir, e servir a Ele. [Neste caso especificamente servir á Deus estava diretamente relacionado á servir a este pastor e a seu grupo de líderes] Seus fundamentos passavam por algo como "quem é filho de Deus não critica, nem se opões as ações da Igreja, por que todos somos como uma família!" Tal bobagem foi completamente sem fundamento, e quem dera não existissem casos de má-admisnitração da casa de Deus como o sacerdote Eli, por exemplo. E para mim, qualquer menção à uma obediência cega ao líder da Igreja contradiz as escrituras e conduz ao fanatísmo. Somos chamados para ser filhos de Deus e ovelhas do seu rebanho, não somos chamados à ser ovelhas do pastor fulano, por que ele está aqui hoje e amanhã pode não estar. Devemos reconhecer a voz do nosso Pastor que nos arrebanha com amor e não nos comprometer mais com alianças político-diplomáticas do que com as escrituras sagradas. Devemos ser chamados a renovar aliança com Deus e não com o pastores, coordenações gerais, regionais e outras cúpulas humanas, pois 'se estamos comprometidos com Deus não estaríamos consequentemente aliados dos demais parceiros da obra?' Os pastores são trabalhadores da obra tanto quanto qualquer outro membro da Igreja e não devem receber qualquer tipo de honra pelo crescimento da lavoura, como instruiu o apóstolo Paulo.
3. Totalmente comprometidos
Além disso, precisamos estar convictos de que existe uma Seara e que precisamos trabalhar nela. Tenho conhecido filhos que desejam apenas a herança do Pai, no entanto não querem realizar suas tarefas, nem assumir responsabilidades com a parte que nos coube no projeto do Pai para a humanidade. Esse foco na recompensa e não no prazer de executar o trabalho, é, sem dúvida a razão de muitas igrejas estarem lotadas de trabalhadores autônomos, prestadores de serviço da casa de Deus. Em alguns casos, esse erro de referencial me faz acreditar que muitos trocam seu trabalho, e tempo dedicados na casa de Deus, por 'títulos ao portador', ou 'ações' que valem 100 vezes mais na Bolsa de valores celestial. Verdadeiras 'pirâmides' que incentivam dar uma quantia, para receber algumas vezes a mais. Afinal de contas que outro investimento garante tanto lucro no mundo aí fora?
Outra razão de se faltar trabalhadores comprometidos na Seara é que se faz uma confusão imensa entre a Obra de Deus e a obra na Casa de Deus [a igreja]. E creio, de todo coração que as tarefas da congregação representam apenas uma minúscula parte do trabalho na Obra de Deus. Jesus soube nos direcionar muito bem quando deu a vocação máxima para os Cristãos: Ide e pregai o evangelho. Ele não disse "Ide e assuma cargos na Igreja". e não disse por que Ele sabe que nem todos são chamados a liderança, mas todos são chamados para anunciar Seu amor. Todos são chamados para amparar viúvas, órfãos, idosos, doentes, pobres e crianças. Todos são chamados à santidade e à caridade. Este é o chamado para todos os cristãos, indistintamente. Porém quantos realmente exercem sua vocação?
4. Habilitados para o trabalho
Um dos principais desafios seria então, ir além desta limitada concepção de trabalho na Obra de Deus e nos dedicar ao valoroso trabalho na Seara. Pois numa plantação tão grandiosa, certamente há os que se dedicam em lavrar a terra; outros em estudar a melhor época para o plantio; outros que preparam a semente, otimizando a qualidade do fruto; há os que de fato semeam, há os que adubam; há os que cuidam das doenças e pragas que atingem a plantação, há os que regam e há os que vigiam a Seara do ataque de saqueadores. Além de todos estes trabalhadores dignos e fiéis, o Senhor prepara os que cuidam dos ceifeiros, os que os ensinam a trabalhar na Seara, corrigindo posturas e hábitos prejudiciais ao rendimento do trabalho, há os que preparam alimentação nutritiva, abrigo, leito e cuidados apropriados com cada um dos convocados ás atividades, há os que dão força e ânimo, há os que redividem as tarefas e que substituem os trabalhadores cansados para não atrasar a hora de segar. Todos estes trabalhadores devem receber de Deus sua própria ordenança e por Ele devem ser encaixados no processo. Ele nos ensina o que fazer, como fazer, em que tempo fazer e ao lado de quem fazer. Não estamos por aí, trabalhando de forma autônoma. Fomos chamados, qualificados e na hora apropriada seremos devidamente recompensados por todo labor. Ele é o dono da Seara, para ele trabalhamos. Ele dá o crescimento á lavoura e o salário ao trabalhador. Não há possível realização espiritual fora deste ambiente e qualquer desvio, omissão ou fuga pode ser definitivamente desastrosa. Oremos para que o Senhor nos capacite, oremos para que o Senhor envie mais trabalhadores, oremos para que o Senhor dê crescimento à lavoura, e no mais amados, mãos à obra!

quinta-feira, 4 de março de 2010

EVERYBODY HURTS


1. Todo mundo sofre as vezes
Como somos impregnados de subjetividade, de detalhes sórdidos, de solidão, de desespero... Como nossa carne é fraca e nossa alma abatida! Como não confiamos e nem temos esperança quando, por uma questão de sobrevivência da auto-estima, deveríamos ser nossos maiores aliados, mas ao contrário nós nos entregamos, e sofremos, metemos os pés pelas mãos... Estou convicta de que nós mesmos boicotamos nossa felicidade e temos uma tendência auto-destrutiva, seja em relacionamentos amorosos, amizades, relacionamentos familiares e outras formas íntimas de convivência. Nós criamos expectativas, deduzimos coisas, atiramos pedras, julgamos, ou pior sentenciamos. Em resumo: fazemos tudo errado! Seja como for o fato é que todo mundo sofre. E infelizmente não sofremos apenas com surpresas da vida, enfermidades, falência bancária, morte de amigos e parentes... quem dera fosse só isso que nos atingisse como uma bomba! mas sofremos por que esperamos demais, ou precipitamos demais... Sofremos por amar e não só por não ser amado. Sofremos por que sonhamos, porém nós mesmos desacreditamos desse sonho; por que gostamos mais de uma pessoa do que gostamos de nós. Sofremos por tentar nos enquadrar num padrão de felicidade que nem sequer teve nossa contribuição ao ser idealizado. A questão não é entender por que sofremos. Não, nem sequer chega perto dessa pretensão. A proposta é conceber que todos nós sofremos, mas até que ponto devemos nos permitir sofrer tanto...
2. Não abandone a si mesmo
Nem preciso dizer que "estar do seu próprio lado" é o primeiro passo para a aceitação, e olha que nem estou falando de equilíbrio, por que se ele existe, eu, infelizmente, ainda não o conheci. Mas "jogar no seu time" é uma decisão que você e eu devemos tomar. Tentar, dia a dia, nos boicotar menos, eu diria. Por que toda essa efervescência emocional é natural e saudável. E antes de afundar na areia movediça de um texto chato de auto-ajuda, eu queria dizer que, fique enfurecido se quiser, mas Deus nos fez assim. [pausa para reflexão]
O que quero dizer é que Ele, colocou esses ingredientes explosivos em nós. Ok, alguns fomos nós mesmos. Mas a iniciativa dEle é que o desafio extraordinário de nossas humildes vidas fosse lidar com isso. E acredite, não dá pra fingir que tá tudo bem, temos que enfrentar isso cedo ou tarde.
Em todas as mensagens de Jesus (Baker já disse isso, não vou repetir) ele fazia questão de nos deixar pistas sobre esse desafio de não nos abandonar. A sua incrível insistência de nos ensinar a amar, não de uma forma corruptível e danosa, mas de uma forma libertadora. De procurar conforto nos amigos, mas sabendo que se algum deles nos trair, tudo bem, isso só fará mal a eles mesmos. Jesus nos incentiva a ter uma relação mais próxima com o nosso Pai, para resolver certas questões, pra pedir conselhos, pra buscar ajuda em quem realmente nos entende, e não em pessoas que certamente fingem, desprezam nossos sentimentos e ainda nos julgam, como se não tivessem problemas. Ele diz: "Eu vos chamo de amigos" (João 15:15) mas não queremos a amizade dEle, queremos persistir em relações tóxicas. E é exatamente nesse ponto que eu digo, sem melodrama, não abandone a si mesmo. Faça escolhas melhores. Pense nos braços que estão sempre abertos, nos braços da cruz.
3. Aguente firme!
Eu concordo que não é um processo tão simples, por que culturalmente fomos levados a acreditar que é preciso dar alguma coisa em troca pra Deus. E eu que estudei, li, refleti, sobrevivi a adolescência, ainda não sabia que nada disso era verdade. E se você não sabia, tome fôlego por alguns minutos; se for preciso, faça como me ensinaram: vá e pegue uma xícara de café.
Quando nos aproximamos de Deus, certos de que não temos nada que O agrade, aí sim estamos conseguindo nos aproximar de verdade. Quando não sobrar nada do Deus aterrorizante que pintaram pra nós, aí sim Ele vai se mostrar. Por que Ele sabe que se já temos uma ideia formada sobre Ele, não adianta conversar. Sabe, quando abrimos mão de conclusões á respeito de Deus, Ele se mostra um maravilhoso Pai. Quando 'limpamos as lentes do óculos' do nosso entendimento, vemos realmente aonde Jesus está. E essa relação com Eles nos deixa mais confiantes pra lidar com o nosso turbilhão interior. Recebemos uma paz interior que funciona como remédio para o sofrimento que causamos a nós mesmos. E olha, isso é tão bom...
O problema de ser auto-destrutivo assim, por tanto tempo, é que olhamos com desconfiança para quem nos ama realmente. Jesus até pega em nossa mão, mas a gente solta, não aguenta firme. Por que junto com Cristo vem a necessidade de auto-avaliação, vem um "olhe para si mesmo" que é insuportável para nós. Ele não deixa de nos contar o que está errado, mas não queremos ouvir. Preferimos o 'fundo do poço' ao 'estender a mão e gritar socorro'. É justo isso consigo mesmo? O que existe de atrativo na tristeza? na desilusão? no estado miserável da alma? Nada. E por que não aceitar ajuda dEle? Orgulho? Fraqueza? Covardia? Se sim, ótimo. Este é o estágio da ação. Quando assumimos que não precisamos dar nada em troca pra Deus, justamente por que não temos nada, aí sim dá pra pegar firme nas mãos dEle. Mas dessa vez, aguentando o impulso do resgate, por que Ele está disposto a nos salvar de tudo, inclusive de nós mesmos.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O PROJETO ORIGINAL DE DEUS


1. No começo de tudo...
Era o sexto dia, depois de ter soprado em nós o fôlego da vida, o Criador concluía sua mais enigmática e extraordinária criatura. Seu amor e Seu tempo estariam comprometidos e dedicados aos seres feitos de pó. Mesmo com toda a honra e glória que Ele recebia de seus anjos, Ele, com seu poder, e pra nossa sorte, queria o nosso coração. Então, dava-se início à jornada mais complexa que se têm notícia. A relação entre o homem e Deus.
Fazia parte do projeto original de criação dar ao homem características únicas como poder de escolha, reflexão e crítica. Ele fez um ser complicado, intenso e capaz de ter uma identidade distinta de tudo e de todos. Ele nos fez extraordinários e no primeiro momento se apaixonou perdidamente por nós. No Jardim o homem teria além de comida, saúde e abrigo a incomparável companhia de Deus. Sim. Era exatamente isso que ele planejava ter conosco: uma relação estreita de amizade. Ele, nos olhando nos olhos disse: "Tudo o que fiz é bom e agradável, vou tirar um dia de folga e passar um tempo com você". Ele desejava ter intimidade e comunhão com o homem. Esse era o projeto original! Como um pai, ele desejava passar um tempo com seu filho, ensinando coisas maravilhosas, compartilhando sua sabedoria, seus projetos e seus valores. Ele desejava que a Terra fosse uma extensão do céu e que vivêssemos aqui a mesma harmonia e comunhão que havia lá. Todos os dias, no fim da tarde, Ele fazia sua visita e tinha prazer em caminhar lado a lado com o homem. Que circunstância maravilhosa, não é? Andar despropositadamente com Deus, conversando, aprendendo, alimentando uma amizade... Sem dúvida alguma os melhores momentos do homem aconteceram no Jardim.
2. A missão de resgate
Mas... como sabemos, os tempos do jardim se foram, essa relação de amizade foi ameaçada pelo pecado, o homem desprezou o conselho de Deus e foi expulso da Sua presença. Nada mais seria como antes. De alguma forma, essa saudade da presença de Deus foi transmitida com o passar do tempo e das gerações... Nunca superamos bem essa separação e ainda nos sentimos pertencentes à Ele. Temos uma ausência do 'sagrado' que tentamos preencher. Ficou em nós uma nostalgia no fim da tarde, uma leve tristeza, uma saudade... Uma saudade da hora em que Deus nos visitava. Deve ser por isso que nos sentimos tão bem perto da natureza e, principalmente quando estamos em oração. Assim nos aproximamos de novo de Deus e matamos um pouco da saudade dos tempos em que estávamos no Jardim.
Então, Ele tomou providencias para se aproximar novamente do homem e num ato de amor imenso deu seu filho para resgatar essa amizade, que havia sido destruída pelo pecado. Jesus restaurou o projeto original de Deus para a criação e colocou o homem de novo face a face com seu criador. Uma das coisas mais magníficas que Jesus fez em sua missão de resgate foi nos apresentar o Pai como Ele é. Por tantos anos de 'distância' nos esquecemos de como ele é amável, amigo e pronto para perdoar. Jesus nos apresentou o Aba-pai. Como foi maravilhoso receber esse benefício. Viveu com o homem, andou ao seu lado, deu exemplos e conselhos. Nos apresentou o Reino de Deus e disse que era possível re-posicionar o homem ao lado de Deus. Nos mostrou como viver segundo a vontade de Deus e na medida em que fossemos nos preparando para viver ao lado d'Ele de novo, ele voltaria pra nos buscar.
3.Restaurando o propósito inicial
Toda essa narrativa parece óbvia para muitos cristãos, mas o fato é que muitos deles se esqueceram de que o propósito de toda essa história era ter intimidade com Deus, era desfrutar da presença d'Ele. E só O agradamos quando abrimos mão da nossa própria vontade e fazemos a vontade de Deus.
Esse mundo é apenas um estágio, esse não é o nosso lar e muitos se esqueceram disso! Muitos desejam manter seus antigos projetos, e as vezes, até conseguir alcançá-los ás custas de Deus e de seu amor. Isso não significa, é claro, que não devemos idealizar, sonhar, planejar. Mas segundo esta máxima, nosso futuro deve ser decidido numa conversa com Deus. O que Deus espera é que a gente se preocupe menos com este mundo e mais em estar na presença d'Ele. Em compartilhar com Ele nossas aflições, em pedir Seus conselhos e Sua ajuda. O que Ele espera de nós é que todos os dias nos apresentemos diante d'Ele dizendo: "Estava com saudades, mal podia esperar para conversar com você. Que saudades Pai. Ainda bem que você está aqui. Obrigada Jesus por me levar de volta à presença do meu Pai."